WASDE: O mercado da soja rachou?
No mercado doméstico, a oferta spot de farelo e óleo permanece restrita
No mercado doméstico, a oferta spot de farelo e óleo permanece restrita - Foto: USDA
O mercado de soja atravessa um momento de leituras divergentes, com movimentos distintos entre o grão e seus derivados, exigindo atenção redobrada de quem atua na cadeia. Segundo análise de Amanda L., especialista em Inteligência de Mercado para o Complexo soja, a reação predominante após o último relatório do USDA foi concentrar a avaliação apenas sobre a queda das cotações em Chicago, o que tem levado a decisões consideradas incompletas.
O documento divulgado pelo departamento norte-americano pressionou os preços do grão, reforçando a percepção de oferta global elevada e estoques confortáveis, cenário que sustenta uma tendência de baixa para a soja em grão. Essa leitura, no entanto, não reflete a realidade observada no mercado interno brasileiro de derivados, especialmente farelo e óleo, que seguem uma dinâmica própria.
No mercado doméstico, a oferta spot de farelo e óleo permanece restrita, em meio a paradas de manutenção em esmagadoras e a uma demanda interna firme. Esse conjunto de fatores tem mantido os preços sustentados, mesmo diante da pressão externa sobre o grão. A expectativa de que os valores dos derivados acompanhem automaticamente o movimento de Chicago tem levado compradores a adiar decisões, estratégia que pode resultar em dificuldades de abastecimento no curto prazo.
A análise aponta que, recentemente, fornecedores já demonstram limitação de produto disponível para entrega imediata, reflexo direto dessa combinação entre oferta ajustada e consumo constante. A avaliação do mercado de derivados, portanto, passa por aspectos como disponibilidade industrial, demanda da cadeia interna e logística, elementos que nem sempre estão refletidos nas cotações internacionais do grão.
Para compradores de farelo e óleo, a recomendação é não basear a estratégia apenas em movimentos do mercado futuro da soja, mas considerar a dinâmica específica dos derivados no mercado interno, onde os fundamentos seguem descolados do cenário observado em Chicago.